A QUALIFICAÇÃO DO JULGADOR NA VISÃO DO AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

A QUALIFICAÇÃO DO JULGADOR NA VISÃO DO AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

9 de outubro de 2019 Off Por Claudio Lima

O que estará em análise, nesse artigo, é o processo de capacitação de julgadores e suas metodologias. Quais delas contribuem de forma eficaz para que as suas decisões sejam sensatas (pensadas e equilibradas), mais próxima da realidade dos fatos. Vamos lá!

A ciência ao estruturar os seus conhecimentos e as suas verdades tendo como parâmetros o embate entre a razão e a emoção, considera como verdadeiras as premissas de que as decisões criteriosas advêm delas.

Entendido assim, o atributo do julgador está sobre judice dessas duas forças, o que nos permite ajuizar que uma decisão criteriosa dependerá da forma que essas forças se apresentem nele na hora do seu julgamento.

Analisando o processo de qualificação do julgador, tendo como gestor “a emoção”, percebe-se uma maior complexidade devido a inexistência de ferramentas que permitam o controle da emoção pela razão.

Nesse caso, qualquer emoção está implícita uma propensão para um agir imediato, já que sobrepõe toda racionalidade, o que torna o ato de julgar imprevisível, inconstante, vulnerável, logo sem padrão, sem controle, sem condições de ser ensinado e aperfeiçoado.

Como não há como controlar a sua interferência no momento do julgamento, ela pode manifestar de várias formas e a hora que bem quiser, tornando o ato de julgar impreciso, instável e vulnerável a cada emoção. O que não é bom!

Outro ponto interessante a considerar sobre a emoção, segundo algumas teorias, ela não está imune ao inconsciente do julgador, o que torna o seu controle, por parte dele, também vulnerável ao seu desconhecimento e as circunstâncias. Deveras preocupante.

Olha que interessante! Embora a mente do julgador esteja abastecida de vasto conhecimentos teóricos e práticos, mas se em relação a sua emoção estiver desequilibrado, a sua decisão fatalmente será comprometida, já que o seu emocional interferirá de forma incisiva na laboração da avaliação, logo, no seu julgamento. Sendo assim, de nada valerá toda essa preparação cognitiva/vivencial.

Sendo assim, qualificar um julgador, irá requerer dele além do seu “amadurecimento profissional (cognitiva/vivencial)”, o seu “amadurecimento emocional”. Como a emoção não se submete a controle da razão, não sei como será alcançado. Afinal emoção pensa!? Aguardo dos Emocionólogo uma explicação.

Analisando agora, tendo como gestor do processo de qualificação “o psicológico” e a “consciência”, percebe um encadeamento lógico, um padrão no processo como um todo. Ele permite ao julgador conjecturar através da razão a sua capacidade de conhecer e administrar o seu mundo psicológico e as causas dos seus desequilíbrios psicológicos. Tal procedimento permite, a ele, o conhecimento e a superação de hábitos, crenças e traumas muitas vezes, firmemente arraigadas em sua mente e que podem, em algumas situações, interferir psicologicamente de forma negativa no seu julgamento.

Nesse sentido, tal procedimento lhe permite ter “autogestão” sobre as suas atitudes, comportamentos e pensamentos.

Aqui, a emoção não pensa, não motiva e nem orienta, não produz qualquer ação, apenas representa o sentimento despertado pelo elemento instigador que compõem a lógica da razão naquele momento.

Nesse olhar, as decisões do julgador são determinadas por “construções lógicas arquitetadas pelo julgador” diante desse ou daquele julgamento.

A decisão, agora, deixa de estar subordinada a impulsos emocionais muitas vezes desconhecidos (inconsciente), imprevisíveis ou de difícil acesso e controle, para submeter-se a lógica da razão.

Tal entendimento, sem dúvida, dará mais segurança ao julgador nos seus julgamentos, já que poderá entender e ajuizar com mais profundidade e imparcialidade as questões envolvidas.

O processo torna o ato de julgar mais coerente, lógico e previsível, permitindo ao julgador construir os seus critérios de ajuizamento com mais confiança em si, uma vez que as suas decisões passam a depender dos seus conhecimentos cognitivos-vivenciais e da sua maturidade e saúde psicológica, não mais da sua maturidade emocional. O julgador, agora, julga servindo-se da sua razão e da sua memória.

Apesar de se valer da razão e da sua memória, não há como negar a sua vulnerabilidade a erros, porém, como a sua tomada de decisão é lógica, psicológica e consciente, o permitirá ter consciência das suas carências, dos seus erros e os seus aperfeiçoamentos a cada decisão tomada, gerando aprendizado e amadurecimento por parte do julgador.

Tal procedimento, sem dúvida, dará ao julgador mais autoconfiança e mais liberdade para apreender com mais profundidade e imparcialidade as questões envolvidas no seu julgamento, tornando o processo de qualificação e aperfeiçoamento, mais objetivo e mais prático.

Em relação a “maturidade profissional” o processo é mais simples para ambos (emocional/psicológico), já que é alcançada através de estudos, de cursos e da experiência profissional. Ela só depende do esforço do julgador, nesse sentido, não oferece grandes dificuldades para adquiri-la, desenvolvê-la e aplicá-la nos julgamentos.

Autor: Cláudio de Oliveira Lima – Psicólogo – Idealizador e Especialista do Autogerenciamento Vivencial (AGV).