AUTOAMOR

AUTOAMOR

11 de janeiro de 2020 Off Por Claudio Lima

O verdadeiro sentido da vida está dentro de nós, chama-se autoamor. Toda essa força está em nosso íntimo, arraigada na nossa essência. É preciso exercitá-la, para que ela produza seus efeitos. Somos responsáveis pelo seu gerenciamento. O ser humano que a tem bloqueada dentro de si, por mil razões, expressará a sua ausência em suas atitudes e comportamentos. A maior causa de tanto sofrimento em nosso meio social advém da falta de amor das pessoas por si próprias e pelo outro.

A vida foi sábia ao colocar toda essa força dentro de nós. Ninguém se transforma de fora para dentro. A nossa transformação se dá, graças à força do autoamor que, sem dúvida, nos proporciona as condições indispensáveis para o nosso autoconhecimento. Em caso contrário, se buscarmos, apenas no mundo exterior, a solução para os nossos problemas, certamente, fracassaremos; pois as respostas adequadas para as nossas dificuldades vivenciais estão, na verdade, dentro de nós.

O autoamor é capaz de romper as correntes, as trancas, os cadeados, os grilhões que nos aprisionam e nos mantêm em sofrimento. Pode ser entendido como uma atitude de autorrespeito que, quando percebida e usada, pode motivar e criar opções vivenciais.

A tarefa de cuidar de si mesmo não pode ser transferida ou compartilhada com outrem, ela é exclusivamente da própria pessoa. Podemos trocar ideias, pensamentos, mas existe uma parte em nós que é totalmente nossa; inacessível para os outros, impenetrável. Só nós temos acesso a ela. Sendo assim, cada ser humano é ator e autor de sua própria história.

Não confundir autoamor, isto é, ter uma atitude de autorrespeito, querer aquilo que é bom para si, assumir o que se é, sem ilusão e sem desrespeito a si e ao outro, com amor-próprio, orgulho, vaidade, mimo, egoísmo. As pessoas que assim agem têm uma atitude de querer o melhor, sem respeitar a si e ao outro.

As dúvidas a respeito de nós mesmos, dos nossos valores, afetam, inevitavelmente, a nossa capacidade de assumir atitudes e comportamentos que nos elevem; sentimo-nos despreparados para tomar decisões e de lutar por nossos ideais. Surgem, então, as dificuldades vivenciais e os problemas aparecem. O vazio existencial, a depressão, a síndrome do pânico são alguns dos efeitos desse estado d’alma. E se não percebermos a tempo o perigo que há em vivermos assim, quando menos se esperar, já estaremos numa situação de completo autoabandono.

Somos frágeis e vulneráveis sem a força do autoamor. Ficamos alheios a nós mesmos, num estado obsessivo-compulsivo. Começamos a ter pensamentos e comportamentos irracionais, que só nos levam e nos mantêm em sofrimento. Perdemos o nosso autoapoio, a nossa autoestima e a capacidade de julgar. Transformamo-nos em fantoches das circunstâncias, das pessoas e das ilusões, em suma, vamos gradativamente nos destruindo.

Sem a força do autoamor, envenenamos nossas vidas e o que é pior, buscamos justificativas para realizar tal feito. Dessa forma, nos tornamos vítimas de nós mesmos e, ingenuamente, começamos a viver na esperança de que as pessoas vão cuidar e lutar por nós e serão justas conosco, dando-nos o que achamos merecer. Ficamos à espera de alguém que nos salve. Enquanto ele não aparece, nos flagelamos.

Ao proceder assim, nos entregamos a uma ilusão. Ignoramos que a gerência de nossa vida é responsabilidade nossa. Ninguém pode fazê-la por nós. De que adianta ficarmos magoados, se as pessoas não atendem às nossas expectativas? Acordemos! Ninguém, na verdade, nos magoa ou nos decepciona. Somos nós que criamos ilusões e ficamos à espera que os outros realizem aquilo que só a nós compete. Desejamos cuidados, respeito, consideração, sem merecermos.

Para evitar isso, é preciso encarar a realidade sem medo e sem culpa. Não estamos neste mundo para perder tempo com críticas, mas com a finalidade de nos aperfeiçoarmos. Com esse objetivo a nos guiar, temos, primeiramente, que nos libertar das fantasias; buscar as verdades que nos faltam. Não podemos, de jeito algum, perder o controle do nosso mundo interior, porque ao criarmos labirintos, corremos o risco de não sair deles.

Em seguida, é necessária a aceitação do nosso jeito de ser, conhecer os nossos limites e avaliar as nossas potencialidades. Além disso, aprender a lidar com os imprevistos da vida, de forma inteligente, sem atropelo, sem lamento. Como ser agradável aos outros, se nós não conseguimos agradar a nós mesmos? E finalmente, nunca devemos esquecer que, quando nos rejeitamos, bloqueamos todo o bem que a vida tem a nos oferecer.

O desejo de viver deriva do autoamor. Sem ele, não há possibilidade de arquitetar e ter atitudes construtivas em relação a nós mesmos; de viver uma vida em harmonia conosco e com o outro. Sem ele, gastamos o nosso tempo de vida justificando os males pelos quais estamos passando. Males esses que corroem a cada dia um pouco mais a nossa alma e que nos tiram, por completo, o prazer de estar vivo. Nunca devemos esquecer que apesar dos pesares, podemos fazer muito por nós mesmos, desde que tenhamos fé em nossa capacidade de superar as dificuldades, por pior que elas sejam.

Para refletir:

  • Um dos grandes males deste século é a desistência fácil de nós mesmos.
  • As pessoas nos julgam pelo que somos exteriormente. Por isso, tenha cuidado com o jeito de se expressar;
  • Só nos podemos nos mudar;
  • A autorrejeição faz com que nos tornemos algozes de nossa própria vida;
  • Nós somos uma promessa desta vida. Podemos, sem dúvida, nos tornarmos melhor a cada dia.

Autor: Cláudio de Oliveira Lima – Psicólogo – Idealizador e Especialista do Autogerenciamento Vivencial (AGV) e desenvolvedor de uma Psicologia com uma visão Quântica.