DIA DO PSICÓLOGO

DIA DO PSICÓLOGO

27 de agosto de 2019 Off Por Claudio Lima

Aproveitando esse momento, dia do Psicólogo, onde a reflexão sobre a Psicologia se faz presente, aproveito para expor a visão do AGV sobre o mundo psicológico, através de alguns questionamentos.

Afinal a Psicologia aborda distúrbio “emocionais” ou “psicológicos”? Consciente ou inconsciente? Presente ou passado? Em qual deles devemos estruturar os nossos conhecimentos psicológicos?

Guiado por um olhar que prioriza as vivências e suas lógicas, o AGV apresenta uma nova compreensão sobre o nosso mundo psicológico e suas interações.

Tem como inovação no seu arcabouço teórico, a troca do eixo “racional/emocional” pelo “mundo da lógica”, “do cognitivo/vivencial”, o que o possibilitou o desenvolvimento de um novo entendimento sobre o universo psicológico.

Nesse novo entendimento, o nosso psicológico é lógico, impermanente, consciente e focado no presente, sendo, para ele, o único caminho para se chegar à autoconsciência e autorreflexão, ao autoconhecimento.

Sendo assim, o emocional é visto apenas com a função de expressar para o “mundo exterior” através das nossas atitudes, o que estamos sentindo em relação a uma determinada vivência.

O emocional tem apenas a função de representar para o mundo exterior, os sentimentos despertados em nós por esse ou aquele acontecimento. Não produz qualquer ação e muito menos determina as nossas atitudes, comportamentos e pensamentos. Logo, a afirmação de que as pessoas reagem emocionalmente, nesse entendimento, não condiz com a verdade. 

Sendo assim, a emoção deve ser entendida apenas como uma das formas utilizadas por nós para expressarmos para o mundo exterior, o sentimento despertado pela interpretação dada ao elemento instigador e a sua lógica cognitivo-vivencial em dado momento. Temos também a expressão corporal e assim por diante.

Nota: Caso as nossas vidas sejam gerenciadas pelo nosso emocional e não pelo psicológico, não seria mais adequado mudar o nome de Psicologia para Emocionologia e o de Psicólogo para Emocionólogo.

Em relação ao passado, viver atrelado a ele com esperança de dias melhores, é pura tolice. O passado é uma etapa da vida já vivida. Não há como modificá-lo. Logo, não é com auxílio dele que iremos solucionar os nossos conflitos psicológicos.

Em termos vivenciais, ele já produziu o que tinha que produzir quando era presente. Ele agora faz parte da memória, das lembranças. Então por que que ficar revivendo-o e nos machucando a cada dia com o que já nos machucou.

É importante nunca esquecer que é no presente onde tudo acontece tanto em termo cognitivo como vivencial e sobretudo onde as mudanças se tornam possíveis.

Para o AGV, o nosso grande desafio psicológico é gerenciar esse presente de forma construtiva, através de novas percepções e interpretações adequadas a cada vivência.

Felizmente ou infelizmente as nossas percepções e interpretações não foram construídas para durar para sempre e ainda mais perigoso, elas podem ser mudadas para melhor ou pior.

Vistas assim, o grande perigo vivencial é que devido ao nosso livre arbítrio, a nossa liberdade de escolha, poderemos nos aprisionar a determinadas realidades psicológicas passadas ou imaginadas, e usar o nosso presente para continuar revivendo-as até os nossos últimos dias de vida.

Nesse sentido, os nossos viveres presentes serão guiados pelas nossas experiências passadas. Infelizmente os momentos que hão de vir estarão sempre dependes dos nossos quereres para fazerem partes do nosso mundo vivencial, já que podem ser colocados em segundo plano.

Agindo assim, de que valeria a natureza livre da nossa mente, o nosso livre arbítrio, o desenvolvimento da nossa maturidade psicológica e os conhecimentos adquiridos com as nossas vivencias.

É importante não esquecer, que a mente humana tem como função investigar, questionar, adaptar, transformar e interagir com a vida e com o mundo a cada momento presente.

Nesse caminhar na contramão das verdades estabelecidas, o AGV apresenta alguns pontos a serem analisados:

  1. Não podemos ignorar que a Psicologia é um desmembramento da Filosofia; não da área da Medicina. Trabalha com a arte do pensar, refletir, analisar, escolher, transformar, vivenciar e etc., portanto não é paramédica. Ela tem como objeto de estudo o mundo psicológico, das interações e dos conflitos e suas lógicas e não o das “doenças psiquiátricas”. A Psicologia e a Medicina têm objetivos diferentes: a primeira analisa os desequilíbrios e os transtornos vivenciais; a segunda trata das “doenças psiquiátricas”. Assim sendo, a Psicologia não existe, em termo profissional, subjugada à Medicina, tampouco pode ser vista como complemento de um “ato médico”. Ela é, sem dúvida alguma, um “ato psicológico”.
  • A Psicologia busca compreender o que é expresso por cada um de nós, por meio das atitudes, dos comportamentos, dos pensamentos e das nossas emoções manifestadas no presente. Sendo assim, não há desconhecimento por nós dos elementos instigadores das nossas reações psicológicas. Embora o elemento instigador seja do passado, a lógica que nos conduz não tem, em si, elementos inconscientes, já que a motivação vivencial tanto para o equilíbrio como para o desequilíbrio é consciente e lógica e se estrutura em escolhas vivenciais feitas por nós. Reviver ou não? Portanto, a Psicologia não se detém no estudo do inconsciente, no culto ao desconhecido, na busca de culpados. Sendo assim, ou se é psicólogo ou se é psicanalista, não há maneira para conciliar as duas profissões: água e azeite não se misturam.
  • Vê cada pessoa como possuidora de uma única força, possuidora de dois sentidos: um construtivo; outro, destrutivo. As escolhas vivenciais, apoiada por determinadas lógica é que vão dar o direcionamento a essa única força. A Psicologia, portanto, não trata das doenças nem das respectivas curas, mas somente analisa os conflitos vivenciais, a fim de orientar quem os tem.  É importante, por isso, distinguir com a devida clareza, os casos que são decorrentes das escolhas vivenciais dos que se apresentam como “doenças psiquiátricas”. Por outras palavras, definir, de modo a não haver dúvidas, os que são doenças e os que são desequilíbrios psicológicos.  Para isso, é necessária a revisão do livro CID-10.  
  • A Psicologia trabalha com o eixo “presente/futuro” e não com o eixo “passado/futuro”; com a dinâmica vivencial e suas lógicas e não com o histórico das vivências. Portanto, não é necessário ressignificar o passado. Mas sim orientar a pessoa no sentido de que ela perceba quão importante é a mudança do elemento instigador e sua interpretação que deu vida a sua lógica cognitivo-vivencial que o está conduzindo. Nesse sentido, para realizá-la, terá que mudar os elementos instigadores de sua lógica atual, presente. Logo a Psicologia não se detém em examinar a vida pretérita. Para ela, tal exame aumenta o elo entre o passado e o presente e faz com que a pessoa se sinta mais prisioneiro de sua memória, do seu passado. A interpretação pode ser uma ferramenta de Deus ou do Diabo. Não sejamos obcecados por “Interpretodologia”. Na verdade, a grande missão do psicólogo é fornecer elementos ao analisado para que o próprio perceba que o mal que o atormenta é proveniente da maneira como pensa e vive e que para corrigir isso, é preciso mudar a lógica que o conduz, já que as transformações e os conflitos são produzidos por ele mesmo, e não pelo passado.
  • Como a Psicologia estuda o mundo vivencial presente, sabe da sua impermanência, da sua transitoriedade e que o improvável e o inesperado também fazem parte desse mundo, interferindo nas atitudes, comportamentos e pensamentos das pessoas e nas suas escolhas vivenciais, logo, não há como predizer, com exatidão, comportamentos futuros e muito menos que determinadas atitudes, comportamentos e pensamentos não mais voltarão. Para o AGV, o psicológico é o mundo das probabilidades, onde os comportamentos expressados só espelham às lógicas cognitivo-vivenciais que nos motivam num dado momento. Tal entendimento, impossibilita a aplicação do método experimental e da observação, com o intuito de encontrar neles padrões que os tornem previsíveis.  Sendo assim, a Psicologia jamais poderá ser cientificada nos moldes atuais.
  • Outro ponto interessante. O insight, que ocorre quando a pessoa toma consciência de sua problemática psicológica, não produz a autotransformação. Ele, em si, não tem o poder para mudar ninguém; só ajuda, mas apenas se a pessoa estiver conectada à força do querer, do acreditar e do agir.  Sem a agregação desses três fatores, não há como alguém se autotransformar. Exemplo: Todo fumante tem consciência do mal que o cigarro produz. Por que não deixa de fumar? Toda pessoa é consciente da dor do seu sofrimento. Por que não muda?
  • Em termos de reflexão, diferencio reflexão cognitiva da reflexão vivencial. A primeiro pertence ao mundo cognitivo; utiliza o método de ensaio/erro e busca conhecer o que já existe. Lida com conhecimentos pré-programados, ou seja, verdades preestabelecidas; por isso a sua aquisição é por meio de estudos e pesquisas.  Já a reflexão vivencial utiliza o método de autoconsciência/autorreflexão e lida com o imprevisto, improvável, o desconhecido. O conhecimento que busca não é pré-programado, não é obtido por meio de pesquisas.  Ele é criativo e relativo a cada momento vivencial e a cada indivíduo. Aprender não é só o mero cultivo da memória, inclui também saber lidar como mundo das vivências, das inconstâncias, do imprevisto, do inesperado, do provisório, do relativo, do desconhecido.
  • Enquanto outras terapias buscam, por meio da reestruturação da razão, controlar a emoção e assim gerenciar à sua maneira de viver. O Autogerenciamento Vivencial (AGV) procuro mudar as razões do nosso viver com o uso da razão, sem qualquer interferência do emocional. O poder que nos liberta da própria dor está em nós mesmos. Quando nos damos motivos e justificativas que não respeitam a nossa própria vida, nos tornamos “homicidas vivenciais”.
  • Enfim! É preciso entender o mundo psicológico, na sua inconstância, na sua impermanência, na sua transitoriedade, na sua multiplicidade e plasticidade para, em seguida, compreender as expressões vivenciais nas suas diferentes formas seja de pensamentos, de atitudes, comportamentos e de expressões emocionais e corporais. O renascer psicológico torna-se possível devido a esses entendimentos.

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