DINÃMICA DO EQUILÍBRIO PSICOLÓGICO NO OLHAR DO AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

DINÃMICA DO EQUILÍBRIO PSICOLÓGICO NO OLHAR DO AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

22 de setembro de 2020 Off Por Claudio Lima

O que diferencia uma pessoa desequilibrada de uma equilibrada, dentre   outros aspectos, é a maneira como lidam com as tensões diárias. A maneira que são afetadas por elas.

Para se ter um melhor controle sobre as nossas reações, se faz necessário o entendimento de que o nosso bem-estar ocorre no intervalo entre o término de uma tensão e o começo de outra. Assim, quanto maior for esse intervalo, melhor será o nosso equilíbrio psicológico.

Para entender melhor a questão, vamos conhecer o significado de uma palavra científica chamada resiliência, que, sem dúvida, esclarece o conceito de equilíbrio psicológico.

Resiliência ou resilência é um conceito da Física, refere-se à propriedade de certos materiais de acumularem energia, quando exigidos ou submetidos a algum estresse, sem ocorrência de ruptura. É o que acontece com uma vara de salto em altura, que se verga até certo limite sem se quebrar e, ao retornar à forma original, dissipa a energia acumulada, lançando o atleta para o alto.

Resiliência, portanto, é a capacidade de um material voltar ao estado normal, depois de ter sofrido tensão.

A psicologia tomou emprestado tal conceito, definindo resiliência como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse – sem entrar em desequilíbrio psicológico. Em suma, resiliência é a capacidade de a pessoa voltar ao estado de equilíbrio depois de ter sofrido tensão.

As pressões internas e externas, ocorridas, em nosso dia a dia, poderão produzir desequilíbrios tanto no corpo como na mente, caso a nossa capacidade de resiliência esteja comprometida.

Quando isso ocorre, com o decorrer do tempo, doenças físicas e/ou psíquicas poderão se manifestar. A noção ortodoxa de que para ser saudável são suficientes boa alimentação e exercícios regulares, não condiz com a realidade, por não considerar os aspectos psicológicos do ser humano como parte do processo.

Na verdade, comer alimentos sadios e fazer exercícios regularmente caracteriza hábitos saudáveis, todavia, só isso, não garantem a todos nós uma saúde plena, por ignorar ou deixar de lado, a nossa capacidade de voltar ao normal depois de ter vivido momentos de tensão.  O seu acúmulo, poderá nos levar a um quadro de estresse, isto é, a desequilíbrios psico-orgânico, apesar da boa alimentação e da prática regular de exercícios físicos.

Logo, de nada adiantará uma alimentação sadia e a prática de exercícios físicos regulares, se não nos preocupamos com a quantidade e qualidade dos “alimentos” psicológicos que estamos produzindo e ingerindo em nossas relações vivenciais. Tais “alimentos” têm uma influência enorme sobre os nossos estados psicológico e orgânico.

Faz-se, então, necessário reavaliar o conceito de saudável e passar a vê-lo levando em conta os aspectos acima mencionados: alimentação orgânica, exercícios físicos e “alimentação psicológica”. Nenhum desses aspectos é mais importante que o outro. Uma boa saúde depende do equilíbrio entre eles.

Em razão disso, devemos gerenciar não só nossa alimentação orgânica e atividades físicas, mas também as nossas lógicas cognitivo-vivenciais ou psicológicas, responsáveis pela quantidade e qualidade dos nossos “alimentos” psicológicos. Sem esse entendimento, não haverá com encontrarmos o nosso ponto de equilíbrio psico-orgânico.

Felizmente, somos os gestores do nosso equilíbrio mental e física, já que podemos escolher a quantidade e a qualidade dos alimentos psico-orgânico.

Enfim, somos nós que estabelecemos o que vamos fazer com a nossa vida. Se vamos vivê-la com os devidos cuidados ou se vamos desprezá-la, entregando-nos ao desregramento.

Nota sobre o estresse:

Recorrendo ainda ao conceito de resiliência, convém salientar que “estar em tensão” não significa “estar desequilibrado psicologicamente”. Para que uma pessoa apresente um quadro – sinais e sintomas – de estresse, após ter vivenciado uma forte tensão, é necessário que ela se sinta incapaz de voltar ao estado de equilíbrio.

Embora o uso de recursos externos nos ajude a reduzir as tensões; em relação à produção de tensão, somos nós os únicos responsáveis pelo seu gerenciamento. Logo, é importante entender que o estresse é decorrente do modo como lidamos com as situações difíceis. Não é porque fazemos muitas coisas ou coisas difíceis. Há pessoas com poucas atividades que se revelam estressadas. Em suma, ter problemas não significa, necessariamente, ter estresse.

Autor: Cláudio de Oliveira Lima – Psicólogo – Idealizador e Especialista do Autogerenciamento Vivencial (AGV) e desenvolvedor de uma Psicologia com uma visão Quântica.