FORÇA DA VIDA E O AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

FORÇA DA VIDA E O AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

13 de abril de 2021 Off Por Claudio Lima

Não há como impedir as nossas mentes de produzirem pensamentos, mas há como investir na qualidade dos nossos pensamentos. Temos a liberdade de nos entendermos e entendermos os outros. Tudo dependerá do que estamos investindo em nossas vidas.

Infelizmente em nossa existência, cultivamos, desastrosamente, ressentimentos, mágoas, decepções e frustrações, e reforçamos seus efeitos sobre nós.

É preciso entender que o mais importante não é o conteúdo das mágoas, das decepções, das frustrações; enfim, o que elas representam; mas o tempo psicológico colocado à disposição delas. Quanto mais longo for esse tempo, mais duradouro será o aprisionamento a fatos dolorosos.

Quanto mais tempo dedicarmos a elas, mais destrutivos serão os seus efeitos em nossas vidas. Portanto, aceitemos o que já aconteceu como fato irremediavelmente consumado, buscando, por outro lado, novas alternativas, novas percepções para nossa convivência.

Se as explicações ou justificativas encontradas para nossos sofrimentos os evitassem, estaríamos no caminho certo. Como isso não acontece, precisamos aprender a reagir de forma diferente aos estímulos externos, principalmente, àqueles que nos causam infortúnios.

Origem da força da vida: ao penetrar no óvulo, o espermatozoide produz uma nova vida que passa a ter a sua própria força, diferente das que a originaram, com características próprias e individuais. Além de mover o trem da vida de cada pessoa, é essa nova força constituída que vai movê-la nessa viagem. Logo, todos nós, ao nascermos, somos possuidores de uma força que chamamos de força da vida.

Em relação ao possuidor: ela não é construtiva nem destrutiva. É apenas uma força que obedece ao desejo de quem a possui, que lhe dará o sentido que quiser. Ela atuará, de acordo com a lógica psicológica construída por nós. São nossas escolhas que irão direcionar o sentido e a qualidade do nosso viver e não a força em si. A força segue o que a lógica psicológica determina.

Para o AGV, não existe confronto de forças positiva (+) negativa (-), do bem contra o mal; mas um conflito entre o sujeito e seus desejos. É da pessoa a escolha da maneira como irá se mover em seu processo de evolução. Ela é que determinará o trajeto a ser seguido e assim criará uma relação de compromisso com a própria vida, ou seja, assumirá a responsabilidade pela maneira como vive.

É a lógica “cognitivo-vivencial” ou “psicológica” de cada pessoa que proporcionará o sentido à sua vida. A força da vida só acompanha o que determina essa lógica, não interferirá em nada. Somente a própria pessoa terá condições de mudar a sua relação com a vida e com isso alterar sua interação com o mundo interior e exterior. No entanto, para que tal coisa aconteça, é imprescindível que ocorra mudanças em suas lógicas. Os motivos que a compõem deverão ser mudados para que outras surjam. Por exemplo: se antes era de autoabandono, que agora seja de autoamor.

Em relação ao tempo e ao trem da vida: no momento em que o óvulo é fecundado começa o processo de formação de um novo ser. Nesse exato instante, o trem da vida dará a partida e o tempo começará a ser contado e a trocar futuro por passado. E não importa o que façamos. O trem da vida e o seu tempo não param mais de efetuar tal troca. Além disso, eles não esperam nem dão marcha ré. Nossa vontade não tem força nem poder para deter-lhes o movimento. Nesse caso, não nos é dado o livre arbítrio.

Para a vida, o tempo do trem é agora. Para ela, não há passado ou futuro, só presente. Não há possibilidade de o passado ser revivido, tampouco de o futuro ser imaginado. Ele acaba com qualquer ilusão, porque nos mostra a realidade em tempo real.

A pessoa não tem poder algum sobre o trem da vida e o seu tempo. Não há como detê-los. O trem da vida tem seu próprio itinerário, move-se independentemente. Ninguém consegue paralisá-lo ou desviá-lo do seu rumo. Podemos até recusar viver os momentos atuais, mas eles sempre virão a bordo do trem da vida. Cabe a nós vivenciar os instantes que se sucedem, transformando o que é velho em novo, substituindo conhecimentos, mudando percepções e interpretações. O trem da vida e seu tempo não retrocedem nem deixam de se movimentar, seguem sempre adiante.

Como o tempo da vida é o presente, o processo de autotransformação adquire as seguintes características:

Nessa circunstância, a autotransformação significa substituir velhos conhecimentos por novos. Tal procedimento torna o processo de autotransformação mais simples e objetivo. Não depende da reformulação do passado para que haja mudança em nosso interior, basta o nosso posicionamento diante daquilo que está acontecendo agora. A autotransformação acontece à medida que ocorre a vivência da nova experiência.

Em tais condições, as experiências vivenciais não servem como orientadoras da nossa vida.

Cada momento é único.

Não é possível tratar novas experiências como se fossem antigas; temos de vivenciar cada nova experiência de forma diferente.

Não há necessidade de se fixar no passado, numa tentativa inútil de alterar o que já aconteceu. Para mudar nosso modo de vida, basta apenas viver o presente com novas percepções.

O tempo não para o que serve de alerta para não agirmos de maneira displicente em relação à vida. Não há tempo a perder com coisas supérfluas. O essencial é fazer a nossa vida valer a pena.

O que existe é o livre-arbítrio, não há predeterminação. Cada acontecimento é analisado no momento de sua ocorrência e a nossa resposta será emitida em função do modo com que o interpretamos. Várias serão, portanto, as maneiras com que nos relacionaremos com o mundo.

Cada momento é único e independente; não há continuidade; portanto, não se depende do futuro para suprir o que faltou no passado.

A é diferente de B, C, D….

Nessa situação, o trem e seu tempo, não nos oferecem retorno, estão sempre a nos levar. Por isso, é preciso agir imediatamente. Quanto mais rápidos formos, menos desperdiçamos nossas vidas.

Pergunto: qual a nossa influência sobre o trem e o seu tempo?

Em relação ao trem da vida, jamais conseguiremos criar um com características diferentes das que ele possui. Ele não sofre qualquer influência da nossa vontade. Continuará em seu caminho, mesmo que não desejemos. Não há força interior que o impeça de seguir em frente.

Já em relação ao tempo do trem da vida, podemos recriá-lo e vivê-lo psicologicamente. Ele, então, se torna virtual, psicológico, convencional ou da consciência. Como somos educados para viver em função desse tempo, é ele quem gerencia a nossa relação com o mundo interior e exterior. Além disso, é constituído de passado, presente e futuro.

Em relação ao tempo psicológico, podemos invertê-lo, pará-lo ou determinar o jeito como desejamos vivê-lo. Temos assim uma ilusória sensação de poder sobre o tempo, mas sobre o tempo psicológico, que nos permite reviver o passado e imaginar o futuro.

Como temos as noções de passado, presente e futuro, o processo de autotransformação apresenta as seguintes características:

A autotransformação, dessa vez, significa incorporar aos velhos conhecimentos os novos e isso torna o processo de autotransformação mais complexo, uma vez que mudar a vida depende da reformulação do nosso passado. A autotransformação ocorre após a vivência da nova experiência. Em tais condições, as experiências vivenciais servem para nos orientar em relação a novas vivências.

Assim, tratamos as novas experiências do mesmo modo com que tratamos as antigas. Criamos verdades que bloqueiam a nossa capacidade de repensar nossas experiências.

Na realidade, sacrificamos grande parte do nosso presente para que o nosso futuro seja diferente. Deixamos de viver momentos da nossa vida em função da correção ou reformulação do passado.

Cada resposta apresentada a um novo acontecimento será influenciada por acontecimentos passados. Ou melhor, cada momento presente terá dentro de si vestígios dos momentos anteriores.

Como decorrência, a vida existirá amarrada à dor do passado.

Ex.: B contém A, C contém B; logo, contém A também. Há continuidade. O passado influencia o pensamento, as atitudes, os comportamentos presentes.

Analisemos: Se em determinado momento da nossa vida nos prendemos ao passado, por um trauma, um complexo, uma decepção, uma frustração etc., em relação ao trem da vida, o que acontecerá conosco?

Vamos lá!

Como o trem da vida não para e o seu tempo é sempre presente e real e não sofre interferência da vontade humana, não importa o que façamos conosco, nada vai interferir em nossa viagem.

Além disso, o trem da vida movimenta-se sempre em direção ao atual, ao agora, ao imediato. É o tempo acontecendo, o tempo que temos para nos modificar, nos superar, evoluir. Se não o fizermos, o problema será só nosso e pagaremos o preço pela teimosia.

Preste atenção! Ao conectarmos o nosso tempo psicológico ao passado na tentativa de modificar algo que já aconteceu, portanto imutável; tiramos de nós a chance de aproveitar o novo de forma diferente e o perdemos para sempre. Já que o trem da vida não cessa sua atividade nem dá marcha ré.

É importante ressaltar que ao nos fixar em nosso tempo passado, passamos a gerenciar a vida em função disso. E como o tempo real não se interrompe, o tempo de vida real que vamos deixar de viver será diretamente proporcional ao tempo psicológico ou virtual direcionado ao passado. Portanto, se ficarmos anos presos psicologicamente ao passado, tentando consertá-lo ou dar um novo significado, essa atitude em relação ao trem da vida significará que anos da nossa vida passaram despercebidos. Além de não conseguirmos mudar nada do que nos aconteceu, perdemos anos do nosso presente.

Viver só com os olhos no passado significa ficar parados em relação ao tempo psicológico, mas em relação ao tempo do trem da vida, não. Sua viagem continua independentemente do nosso tempo psicológico. O que deixamos de viver, jamais será vivido.

O trem da vida está carregando nosso tempo permanentemente, não há como deixar as coisas para depois.

O grande desafio do homem é saber sincronizar o tempo real com o virtual ou psicológico. Seremos resultado desse sincronismo. Quanto mais aproximarmos esses dois tempos, mais cientes ficaremos do que está acontecendo em nosso interior.

Além de nos ensinar a demorar o menos possível na solução de um problema, essa tomada de consciência nos ajudará a aumentar o tempo entre um erro e outro, do jeito que está ilustrado no desenho a seguir.

A compreensão da importância desse sincronismo entre os dois tempos nos torna mais conscientes dos atos e de seus efeitos, uma vez que cada tempo tem um papel relevante no nosso desenvolvimento pessoal.

Enfim, ao homem, nada adiantará todo o seu conhecimento, toda a sua tecnologia, toda a sua ciência, se ele não souber sincronizar esses dois tempos. Se autoconhecer é o caminho. Vamos lá.

Autor: Cláudio de Oliveira Lima – Psicólogo – Idealizador e Especialista do Autogerenciamento Vivencial (AGV) e desenvolvedor de uma Psicologia com uma visão Quântica.