INCOMPLETUDE PSICOLÓGICA E O AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

INCOMPLETUDE PSICOLÓGICA E O AUTOGERENCIAMENTO VIVENCIAL

5 de novembro de 2020 Off Por Claudio Lima

Antes de começar é importante destacar que somos seres destinados a incompletude e por mais que façamos, por mais que realizamos etc., nos sentimos incompletos. Logo, faz parte do nosso mundo psicológico essa sensação de incompletude.

Fatalmente, viveremos e morremos com esse sentimento de que está sempre faltando algo para realizarmos, devido a isso, estaremos sempre em busca de algo.

Essa sensação em sentir-se incompleto é nomeada pelo Autogerenciamento Vivencial como “incompletude psicológica”.

É importante destacar que esse conluio entre a “impermanência psicológica e a incompletude psicológica” se mal gerenciado, poderá trazer consequências graves para nós e a sociedade.

Então o que fazer para não sermos absorvidos por ela sem qualquer restrição?

Como faz parte do nosso mundo psicológico, nesse caso, podemos sim, gerenciá-la de forma consciente, lógica e reflexiva, para que não fuja ao nosso controle e passe a criar sensações que acabam nos degradando a níveis de autodestruição ou fuga da realidade através da imaginação ou de vícios. Daí a importância de exercermos autogestão consciente sobre ela, já que será fundamental para o nosso bem viver.

Essa sensação de incompletude psicológica interfere no tempo e maneira de sentirmos as nossas realizações pessoais. Infelizmente, os nossos momentos de prazeres e autossatisfação são vulneráveis a ela.

Em termos sociais, nos aprisiona aos ideais do sistema sociopolítico e econômico em que estamos inseridos.

Vejamos! No caso do sistema capitalista, sistema esse, desumano que destrói o homem em sua essência e a natureza na sua beleza e harmonia, só se mantém vivo, até o presente momento, por se utilizar de marketing que se aproveitam dessa incompletude psicológica, para incutir em nossas cabeças, através de falsas ideologias e filosofias etc., que o nosso amanhã será sempre melhor, desde que sigamos o que ele propõe.

Procura obscurecer o nosso olhar sobre a realidade para que não a vejamos de fato e só a percebendo de acordo com seus interesses.

Entre outros malefícios, nos incuti esse “consumismo desenfreados”, desumanos, através de novos lançamentos constantes, seja: de vestimentas, de carros, de celulares etc., nos condicionando a sentir insatisfeito com a anterior e adquiri-los incessantemente.

Outro malefício que também se destaca, é nos incutir que a “preocupação com o futuro” é uma atitude correta. Devemos investir no futuro, para que no futuro não vivenciemos dissabores, não se importando do quanto do nosso presente teremos de sacrificar para ter esse futuro idealizado por ele. Futuro esse que permite fazer referência a uma ação que ocorrerá num momento posterior ao que é enunciado.

Pressionado por essa ideologia, investimos a nossa vida, sem qualquer reflexão, nesse futuro previsível, fruto de um planejamento, de uma preparação, de algo conhecido, delineado ou desejado, porém sem data para realização. Um futuro que nos consente agir e pensar de forma antecipatório, nos consentindo identificar e planejar a solução para resolver futuras necessidades ou problemas antes deles acontecerem. Um futuro que aos homens pertencem, por ser fruto de sua idealização.

Futuro esse que propicia uma nova forma de olhar o porvindouro, admitindo um olhar proativo sobre a vida, nos envolvendo com uma nova inquietação, que é nos preocuparmos com as nossas necessidades futuras, nascendo a partir dessa consciência, a preocupação com o futuro, com o que está por vir ou acontecer. Uma preocupação com o que é preciso fazer para que no futuro não sejamos surpreendidos com algo inesperado ou ruim. Futuro esse, que se permite ser planejado, controlado, gerenciado e desejado por nós.

O grande obstáculo ao lidar com esse futuro é que, em determinados momentos, o colocamos como foco principal das nossas vidas e esquecemos de viver os nossos momentos presentes. Sacrificamos grande parte do nosso presente para realizar esse futuro planejado por nós, fruto de uma criação ideológica, sem medir a suas consequências psicológicas, sociais e em relação a natureza e seu equilíbrio.

É comum ouvir propaganda desse nível: Planeje seu futuro e conquiste seus objetivos com a ajuda de previsões desenvolvidas por especialistas. Eles revelarão   tendências e opções que nos ajudarão a conduzir as nossas vidas, como também nos revelarão vários futuros que teremos pela frente, que irão acontecer nos próximos anos.

O sistema capitalista vive e sobrevive dessa incompletude humana.

Para o Autogerenciamento vivencial a compreensão e o gerenciamentos “desses futuros” nos permitirá compreender melhor as suas consequências no nosso desenvolvimento pessoal, profissional e social. Nesse caso, precisaremos estar atentos ao gerenciarmos as nossas vidas para não esquecermos de também vivermos o presente.

Envolvido pela “impermanência psicológica” da nossa mente, associada ao nosso “sentimento de incompletude”, que seres humanos seremos nos séculos vindouros?

Autor: Cláudio de Oliveira Lima – Psicólogo – Idealizador e Especialista do Autogerenciamento Vivencial (AGV) e desenvolvedor de uma Psicologia com uma visão Quântica.