
A justificativa é uma arma perigosa,
Uma armadilha da mente, bem sutil,
Que mascara a atitude dolorosa
E alivia o remorso tão hostil.
Ela amordaça o deslize cometido
Com desculpas que o tempo vai levar,
Faz o vilão se sentir um incompreendido,
E o desonesto, um esperto a se gabar.
Muda a veste do carrasco em salvador,
Criando ilusões no próprio pensamento,
Mas esquecemos que a mente é a autora,
E nós, os donos de cada julgamento.
Deixemos, pois, a falsidade de lado,
Pois quem não quer a própria falha ver,
Vive a caçar no outro um culpado,
Sem coragem para si mesmo erguer.
Pedir perdão sem a atitude nova
É buscar luz na noite mais escura,
É repetir o erro que reprova,
É caminhar na rota da loucura.
Assumamos o peso do que foi feito,
Pois o passado não vai se apagar.
Justificar o erro é outro defeito,
Mudar a rota é o jeito de acertar
