Há sonhos que viajam pelo tempo,
Vagando sem jamais se realizar;
Existem para o dia do desalento,
Sustentando a esperança no olhar.

Dão um sentido breve à nossa vida,
Erguendo o peito que a tristeza medra,
Mas nessa rota em ilusão tecida,
O próprio sonhador se desagrega.

Pois ao viver no mundo da ilusão,
Roubei de mim o gosto de sentir;
Fechei os olhos para a imensidão
Dos prazeres que a vida tem por vir.

Não percebi o erro do meu passo:
Eu me ensinava a ser infeliz.
Perdido nesse imenso e vago espaço,
Fui o autor do mal que nunca quis.

E agora, que sinto o fim tão perto,
E a última cortina quer descer,
Não quero caminhar pelo deserto
Sem antes aprender a me acolher.

Espero, antes que a morte me seduza,
E o tempo encerre a minha caminhada,
Mudar o olhar que a própria alma acusa,
E ver em mim a vida resgatada.

 

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